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terça-feira, 18 de maio de 2010

Mente Brilhante, sem rede

Achava que conhecia a obra de Joana Vasconcelos...
Como estava enganado...
Não se resume nada às obras mais publicitadas...
tendo sido mesmo, as menos conhecidas que me despertaram maior atenção...
na exposição antológica que encerra hoje no CCB.
É uma corrente criada por uma mente brilhante, cheia de metamorfoses e onde a imaginação é apenas o princípio de todas as coisas...
«Sem rede», porque não precisa dela para explanar toda a sua imaginação...
Adorei!
Joana... Mulher... Portuguesa... Genial!

Mais fotos aqui...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

imPRESSionant

29 Janeiro
No início era a Luz... forte, intensa, quase a cegar quem para ela olha de frente...
Depois a escuridão...
Um homem habita a sua claustrofóbica célula de Vida... em contagem decrescente, como a realidade...
O espaço que é dado, é o ponto de partida... mas há uma tendência natural, para o esmagamento... que pode ser próprio, ou do meio que nos rodeia...
A pressão e a opressão que nos circunda...
por vezes aliviadas, sem se saber porquê... outras... pela nossa própria resistência...
Há momentos em que apetece lutar contra as paredes que se erguem... empurrá-las como se não houvesse amanhã...

Outros, em que a resistência é insignificante, valendo a capacidade de adaptação,
a correcção do posicionamento,

a modificação do movimento...
testando as nossas capacidades de contorcionismo...

mesmo que nos faça ver o mundo ao contrário...

Há alturas, em que se perde a cabeça e mesmo assim não se perde a postura...

tentando encontrar uma direcção para o que entendemos ser correcto...

Por vezes, queremos segurar o mundo nos ombros...
mas isso não dura muito...

No início era a Luz...
No final, a escuridão... a revelar que, por vezes, não faz sentido lutar contra o céu que se abate sobre nós próprios...
Essa luta é um mero adiamento de uma realidade que nos esmaga...

Uma performance extraordinariamente elegante, virtuosa, intensa e subtil de Pierre Rigal.
Adorei!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Electra convulsa

Fim de tarde agradável e plateia cheia para assistir ao novo trabalho de Olga Roriz, «Electra»...

Acompanhado da «especialista» Catw, aguardamos enquanto vemos a bailarina fitar-nos nos olhos e comentamos o «à-vontade» com que se passeia no enorme palco do Teatro Camões... quase despido de adereços... dois simples armários de gavetas e uma cadeira...
Inicia-se a música de carácter depressivo, apesar de tudo a melhor da noite...
Daí em diante, assistimos estupefactos a uma fraquíssima prestação, original apenas nas imensas convulsões que Olga parece sofrer em palco... no constante vestir e despir da roupa que traja... uma gratuitidade de nus frontais que não se percebe...
Sem qualquer interligação entre passagens, por vezes parece esquecer-se dos movimentos a realizar... uma música que passa de depressiva a fúnebre... plateia com alguns risos, comentários, abandonos...
Tento vislumbrar o «complexo de Electra», tento encontrar algum senso no que vejo, mas a mensagem da Catw, diz tudo: «se quiseres, vamos já embora»... Não fomos, apenas porque os lugares eram centrais e não seria de bom tom incomodar os que assistiam, tentando entender o que se passava...
Hora e meia mal passada, a pensar no dinheiro dos contribuintes que é utilizado para desenvolver uma coisa destas... a produção é extraordinariamente barata... presumo que os subsídios sejam muito bem aproveitados pela autora, noutro tipo de palcos...
Sendo a Fundação EDP, mecenas exclusiva e o espectáculo denominado «Electra», a pergunta faz sentido:
Onde está a electricidade???
Dificilmente voltaremos a ver Roriz... uma enorme desilusão...
Uma última nota para o nosso público... eventualmente por vergonha, ainda houve alguns aplausos que não fizeram esquecer a desgraçada performance...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sutra

O ano começou agora, mas devem existir poucos espectáculos em 2010, como Sutra...
Sutra, derivado de sutta em Pali, é usado para designar qualquer um dos sermões ou escrituras narrativas de Buda.

Sidi Larbi Cherkaoui, famoso coréografo flamengo-marroquino, regressou a Portugal com um trabalho inspirado na técnica, força e espiritualidade dos monges de Shaolin.
Com um cenário minimalista de mutação constante da autoria do multipremiado artista plástico Antony Gormley, uma banda sonora serena e melancólica do polaco Szymon Brzóska, tocada ao vivo por cinco músicos, dezassete monges e o coréografo assistente Ali Ben Lotfi (a lembrar o Dr. House e deixando as minhas Amigas Catw e Ngan muito bem impressionadas ;)) dão cor a uma representação moderna e quase mística... combinando movimento,rapidez, fluidez e acrobacia, resultando numa dimensão de profunda sensibilidade e poesia...

Hipnotizante!
No final e após um apoteótico aplauso de vários minutos, não resisti a adquirir o DVD e a banda sonora...
Do que vi em toda a minha vida, apenas «Fuerza Bruta» poderá superar esta apresentação...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ARTE Lisboa













Mais imagens aqui

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Tango Pasión


Cerca de uma semana atrás... na companhia da SilverB... e de uma plateia repleta... assistimos ao 3.º dia de exibição da companhia argentina Tango Pasión, com o seu último projecto: Último Tango...
Bastaria o bandoneon para me sentir feliz... se a isto junto a companhia da minha Amiga marciana, um conjunto de bailarinos fantásticos e um grupo de músicos absolutamente divinais... temos um final de dia excelente...
As músicas são por demais conhecidas... vagueando entre Gardel e Piazzola...
Todo o espectáculo em crescendo... consecutivamente fomos dizendo: «este foi o melhor!»
Pormenores brilhantes, a reter...
um bailado de máscaras que inacreditavelmente são suspensas na cortina do Auditório dos Oceanos... e repostas depois do número consumado...
uma aparição dos bailarinos trajados com metades de guarda-roupa masculino/feminino...
a mescla muito bem conseguida entre o tradicional e o contemporâneo...

Um perfeccionismo na execução musical do Sexteto Tango Pasión e de movimentos que nos deixou siderados...
Fico sempre com a sensação que já vivi este ritmo, esta música, esta dança, noutro tempo, noutro lugar...

Quem puder, aproveite até 13 de Setembro...
Vale bem a pena...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Tempestade


Há dias de tempestade...
há dias em que sou eu a provocá-la...
mas não é sobre os últimos dois dias que este post diz respeito...
Sábado, a convite da minha Amiga marciana SilverB e na companhia igualmente da nova Amiga SZen, pudemos disfrutar do ambiente místico do Monte da Lua (como os lusitanos apelidavam à Serra de Sintra)... e da magnificência de um local que se encontra tão perto e ao mesmo tempo nunca tinha sido alvo de visita...
Quinta da Regaleira...

SZen foi uma bela surpresa... adorei o seu estilo «de bem com a Vida»...
A lindíssima SilverB, continua a lutar consigo própria, à procura do seu rumo...
custa-me ver aqueles brilhantes olhos azuis a transmitirem uma angústia que parece leve, mas que mexe muito com ela e bastante comigo... e ela já mexe bastante comigo, sem necessidade de angústias ;)
Da companhia para o espectáculo...
primeiro, um excelente jantar no Pátio das Quimeras, com uma magnífica jam session com três músicos... e com um gato preto como anfitrião...

seria Próspero, a aguardar por nós?
Seguidamente... uma intempérie de emoções,

uma porta fechada com o meu número,

uma janela brilhante que se abre (como referia a Sonjita, dias atrás)...

«A Tempestade» é bem guarnecida de boas interpretações... de actores a declamarem como nos anos 60, a cómicos de muito bom nível... uma adaptação meio-livre da peça de Shakespeare, que nos traz boa disposição, num cenário idílico...
Soberbo o cenário anterior ao início do espectáculo, com o Palácio envolto numa névoa que relembra o misticismo daquele mágico e romântico lugar...
Quanto à peça, os puristas não gostarão, os leigos aplaudem...

e os apreciadores de bons momentos, deleitam-se com os passados numa noite como aquela...
A repetir... a viagem até à Regaleira, a música nas Quimeras e a companhia...
Se possível, muito brevemente...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Festival ao Largo


Uma das melhores iniciativas culturais de 2009...
Um festival de arte erudita em ambiente urbano...
O Festival ao Largo é uma iniciativa da OPART que gere conjuntamente o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado.
É a festa da música sinfónica, coral-sinfónica, bailado e teatro...
Ao todo, são 18 espectáculos ao ar livre com entrada gratuita...
Marquei presença na Noite Branca de Tchaikovsky com a Catw e neste domingo regressei ao Largo, a convite da TVG, para ver a Companhia Nacional de Bailado com duas peças:
Concerto

Coreografia: Katarzyna Gdaniec e Marco Cantalupo
Música: Johann Sebastian Bach concerto para cravo BWV 1052
Adorei... as Amigas expert dizem-me que a segunda é a melhor, mas eu que estou a ficar apaixonado pelo bailado contemporâneo, prefiro o minimal... desta peça...
Podia vê-la vezes sem conta...
(embora a escolha do vídeo da CNB seja a 2.ª parte da peça, a menos atraente para mim, pelo excesso de repetições de movimentos... os puristas que desculpem os comentários do leigo)

Cantata

Coreografia: Mauro Bigonzetti
Arranjo e interpretação musical, a partir de música original e tradicional do Sul de Itália pelo Gruppo Musicale Assurd.
Da preferência das Amigas, conforme referi... eu não fiquei tão fã, embora me tenha deliciado com uma parte da peça em que tínhamos apenas uma área mais melancólica e um solo feminino com dois bailarinos masculinos... (curiosamente a parte escolhida pela CNB para ilustrar o trabalho, no Tubo)

Segundo ouvi no domingo, mais de 20.000 pessoas já passaram por lá...
a cultura desceu à rua...
um verdadeiro prazer para quem, como eu, ambiciona conhecer cada vez mais...

Dando a palavra a Carlos Vargas:
«A possibilidade de neste espaço da cidade recriarmos um anfiteatro é uma experiência única e em certo sentido irrepetível. Poder juntar mil pessoas no Largo é um acontecimento absolutamente extraordinário que ninguém deve perder.».
Eu assino por baixo!
Uma verdadeira festa popular!

Quem puder, não perca o teatro que se vai seguir...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tosca


Estreia absoluta, com o Le Bon, a assistir a uma ópera...
a escolha acidental, recaíu na Tosca de Puccini, apresentada pela OP - Companhia Portuguesa de Ópera...
no âmbito do Festival de Sintra...
num cenário deslumbrante (Jardins do Palácio de Queluz), a pecar apenas pelo frio, quebrado pelo excelente desempenho dos músicos e intérpretes...
A lembrar-me que tenho de voltar à clássica mais vezes, porque gosto e me faz sentir muito bem...

P.S. Se tiverem oportunidade, vejam a foto com mais atenção... não vislumbram algo de estranho no fumo?
Ilusão de óptica ou o espírito de Scarpia?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

In an Absolut world


Galeria Who, Bairro Alto

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Fab à Flor da Pele ou 4 Coreógrafos

procuro um rasto de Ti.

à flor da pele tropeço nos passos cansados.
à flor da pele trémulo e exausto
tapo todos os poros.
à flor da pele amordaço a esperança.
à flor da pele nado no suor derramado
lamento, encolho e sorvo a fraqueza.
à flor da pele conspiram lugares e olhares
mostro-me nu, estrangulo e mordo a inocência da carne.
mato!

à flor da pele, quebro e morro mais um pouco.
à flor da pele, procuro um rasto de Ti.

Rui Lopes Graça

A Fab é uma Amiga, simplesmente como o seu nick sugere...
tem a capacidade de fazer com que me perca...
Perco-me com ela, perco-me por ela ou simplesmente... perco-me...
Ontem teve o condão de contribuir para me reencontrar...

Excelente noite com os «4 Coreógrafos» no Teatro Camões, a cargo da Companhia Nacional de Bailado... (no pics allowed)

Isolda, de Olga Roriz, expressivo, dramático, apesar de pouco sincronizado...
"Tudo se passa entre o sonho e a morte. A recordação da dor e do prazer" e eu esqueci-me da dor e só pensei no prazer que estava a disfrutar...
Wagner fez toda a diferença, com o seu Prelúdio e Morte de Tristão e Isolda... tudo é romantismo na sua obra...


À Flor da Pele, de Rui Lopes Graça, o que mais gostei... pleno de intensidade, "uma pulsação abstracta dos corpos (...) uma fisicalidade intensa, um desespero de amor que aparece e reaparece e aparece novamente, uma ferocidade nos gestos deste homem e um ventre amoroso nesta mulher...",
senti-me «lá»... na cena de amor entre dois dos protagonistas...
Philip Glass, escolha soberba para «embrulhar» esta peça...


Fauno, de Vasco Wellenkamp, a escolha da Fab... ao som de Debussy...

Segundo o autor «no sonho erótico do animal demoníaco, procurei retratar a sua avidez sensual e, na imprecisão da sua humanidade, alcançar a beleza e os sinais irreprimíveis das emoções humanas.»
Fantástica, a instalação, no cenário, de uma árvore invertida... como fantástico foi um dos alinhamentos dos bailarinos que apenas posso reproduzir aqui através da foto do programa...

Strokes through the tail, de Marguerite Donlon... acompanhado de Mozart...
Para terminar, final em beleza, um misto de boa disposição e graciosidade de movimentos...

Excelente noite, melhor companhia... a merecer repetição...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Peter Kogler@CCB

O que seria uma visita à BES Photo 2008, no CCB, redundou numa visita à bela exposição de Kogler e felizmente assim foi...






Para além da excelente companhia da Lou e F., restou-nos a obra do artista austríaco para apurar os sentidos, porque não ficaram recordações da exposição de fotografia...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Back to the Palace, by João Figueiredo


Tive a felicidade de partilhar com a Lou e a F, uma visita à exposição de João Figueiredo...
Conhecedora e apreciadora da obra do João, a Lou não me deu alternativa ;)senão visitar a interpretação plástica, altamente sedutora, de obras originais de Jean Auguste Dominique Ingres... e deu-me também a conhecer a história fantástica que está por detrás da ligação entre si, um quadro e o artista plástico e que daria certamente um belo capítulo de um livro...
A passagem pelo site de João Figueiredo já me tinha despertado a curiosidade... mas apesar das fotos serem muito boas, não transmitem nem de perto a beleza de cada uma das peças...

E como são bonitas... ao ponto de estar muito inclinado para a aquisição de uma delas...

Perdemo-nos a apreciá-las...

Reencontramo-nos, caminhando sobre Pessoa (excelentes, as escolhas das citações)...
Detenho-me num livro aberto, onde curiosamente se encontra uma data que reflecte quando tudo começou para mim...
O prazer de termos o artista plástico a dar-nos as explicações necessárias sobre a sua obra...

deixando para o nosso imaginário, a interpretação subjectiva e nada redutora... de algo que nos seduz, ao primeiro olhar...
Sendo leigo na matéria, não vou dissertar sobre a mesma... deixo apenas uma nota adicional referida pela Lou, na sua introdução: o presente oficial do Primeiro-Ministro aos Reis da Suécia em 2008, foi uma obra de João Figueiredo...
Fica a recomendação para quem tiver oportunidade de efectuar uma visita ao Palácio Pombal, até 29 de Maio...
E o agradecimento à Lou, à F e ao João Figueiredo por um momento tão bem passado...

terça-feira, 31 de março de 2009

Spirit of the dance


Sou, como alguns sabem, apaixonado pela dança... na maioria das suas vertentes...
Esta noite, decidi-me pelo «Spirit of the dance» e a escolha não se poderia revelar mais interessante...
Fusão de dança tradicional irlandesa com os diferentes ritmos do mundo...
com as melhores referências...
Redundou em excelente noite!
Início místico, passando pelo tradicional escocês, cowboys, gang camuflado, dança do ventre, jogo de plumas, can-can, cabaret, actuações solo, woman vs man (a exemplo do Fuego), para culminar com uma magnífica actuação dos 20 bailarinos sentados na frente do palco, com um jogo de mãos simplesmente brilhante!
A perfeição dos movimentos dos pés, combinada com a música vibrante, provocou uma excitação crescente na audiência...
Duas horas, com intervalo para respirar,

de energia transbordante!
O show é explosivo e impactante!
ADOREI!

Para culminar, nada melhor que passar pelo Lux e revê-lA... já tinha saudades...
;)